hemingway recomenda:

5 Sep

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“assista o nascer do sol o máximo de vezes que conseguir”

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Todo carnaval tem seu fim

9 Sep

Sim, este é meu último post neste blog. A viagem terminou, a festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou.

E decidi terminar sem sentimentalismos, sem pieguices, sem despedidas emocionadas nem nada do tipo.

Para isso, nada melhor do que apelar à frieza e à imparcialidade dos números.

Vamos lá:

Foram 224 dias de viagem, passando por 10 países, num total de 71 cidades visitadas.

Quilômetros rodados? Cerca de 24 mil, de acordo com a estimativa do Travellers Point.

Me hospedei em 96 hotéis e visitei mais de 500, mais ou menos o mesmo número de restaurantes devidamente avaliados para o guia.

Além disso, passei 7 noites dormindo em redes ou em barracas no meio do mato, uma em um navio, também na rede, mais umas 5 em bancos de rodoviárias, duas em aeroportos e 17 em ônibus noturnos.

Meios de transporte, usei todos.

Aviões para 3, 5, 12, 20 passageiros, fabricados nas décadas de 60, 70 e 80. Um deles eu tenho certeza que tinha motor de fusca!

Barcos, navio, jangadas, botes, chalupa, canoas e ainda tive que atravessar dois rios caminhando (ida e volta!).

Por terra, andei de moto-táxi com minhas duas mega mochilas, ajudei a retirar pedras da rodovia que haviam deslizado para que o ônibus pudesse passar, peguei caronas com os tipos mais estranhos, atravessei as piores estradas em 4×4, viajando até na caçamba, e, o pior de tudo, encarei o frio e a barulheira dos ônibus venezuelanos.

Andei, andei e andei.

Conheci gente de todas as raças, credos, tamanhos e nacionalidades.

Aprendi a dizer bom dia e obrigado em umas 30 línguas.

A essa altura, esqueci como dizê-los em 27 delas.

Assisti a 5 episódios do Chaves e 7 do Chapolin que nunca foram exibidos no Brasil.

E ao filme O Procurado mais de 20 vezes, sempre durante viagens de ônibus (é o hit do momento na Venezuela e na Colômbia).

Tive problemas em quase todas as fronteiras pelas quais passei (tenho cara de contrabandista? terrorista? por que esses policiais acham tão estranho alguém viajar sozinho?).

Assaltos? Alguns. Apertos? Muitos.

Mas os números mais impressionantes da viagem eu deixei pro final:

Pensei na minha família e nos meus amigos queridos um zilhão de vezes durante todos esses dias.

E tenho certeza de que eles viajaram um pouco comigo através das letras deste blog.

Hasta la vista!

 

mapa: Traveller's Point

A Colômbia é Minas. E um pouquinho de Bahia também…

26 Aug

De todos os países que visitei até agora, a Colômbia foi aonde me senti mais em casa.

O interior do país é bastante montanhoso, como Minas. Viajar por lá significa encarar um sobe e desce danado e uma curva atrás da outra.

Há várias cidades históricas com típica arquitetura colonial. O estilo é espanhol, um tanto diferente do português, mas ainda assim não tinha como não me lembrar de Ouro Preto ou Tiradentes enquanto caminhava pelas ruas de pedra de cidades como Girón, Barichara, Mompós e Villa de Leyva.

Como Minas, o país tinha riquíssimas reservas de ouro, que foram extraídas ainda na época da colonização, deixando apenas uma lembrança dourada em altares de igrejas e museus.

O povo é tranquilo, simpático e gentil, e as mulheres são bonitas como as mineiras.

E, como em Minas, acham tudo fácil e perto. Peça informação para chegar a algum lugar pra ver como é: três quilômetros de caminhada e 17 curvas depois – tendo se perdido umas 4 vezes no meio do caminho – você chega aonde queria. Facin e pertin.

E a culinária então?

Aqui tem não apenas pão de queijo, como também biscoito de polvilho, queijo parecido com o Minas e um bom doce de leite.

Música? O vallenato, estilo que eles mais gostam de ouvir por todo o país, lembra bastante a música sertaneja da década de 80, de João Mineiro e Marciano, Milionário e José Rico e tantos outros que passaram pelo Clube do Bolinha (alguém lembra disso? hahaha!)

As grandes cidades lembram a nossa capital. Em Cali, principalmente, os ônibus azuis me fizeram realmente me sentir em BH!

A cidade não tem lá muitos atrativos, mas tem gente animada e boa de golo. E muitos botecos.

Lá também vale o mote: “se não tem mar, vamos pro bar!”

Já na região norte do país, na costa caribenha, o cenário muda um pouco.

Muitos se vestem de branco, há mais afro-descendentes e as festas de rua, acompanhadas por muita percussão, fazem lembrar a Bahia.

O povo é alegre e festeiro, e em Cartagena tem até mulheres vestidas exatamente como as tradicionais baianas, só que em vez de acarajé elas vendem sucos naturais.

As pessoas gostam de puxar papo e trazem sempre um sorriso no rosto.

E eles têm axé também! – só não conhecem por esse nome…

 

Resumindo…

20 Aug

Vou tentar resumir ao máximo a minha passagem pela Colômbia aqui no blog.

As postagens estão muito atrasadas, minha viagem está chegando ao final e logo eu vou encerrar o nosso papo por aqui.

 

Como escrevi no penúltimo post, cheguei à Colômbia antes da hora, sem muito planejamento, sem contatos com hotéis nem nada.

Viria para voltar imediatamente à Venezuela, aonde tinha ainda alguns assuntos pendentes, mas acabei resolvendo iniciar a viagem por aqui de uma vez.

O primeiro contato com o país foi na costa caribenha.

As praias não são nem de longe bonitas como eu esperava.

(ou talvez a minha passagem pelo litoral venezuelano tenha me estragado pro resto da vida…)

Em Santa Marta, um bom destino para mochileiros na vila de Taganga – um dos lugares mais baratos do mundo para mergulhar ou fazer um curso de mergulho.

Em Cartagena, muita cultura, história, praias e festas. Sem dúvida, um destino imperdível.

Depois dali, passei por cidades e vilas coloniais do interior do país.

Primeiro, Mompós, cidade importante há alguns séculos, quando era rota comercial dos barcos e navios que trafegavam pelo rio Magdalena, mas perdida no tempo e hoje apenas uma pequena cidade interiorana, com bela arquitetura colonial preservada.

Depois, na sequência, Girón, San Gil e Barichara, esta última considerada a cidade colombiana mais bonita.

Dali, segui para o Equador para uma rápida passagem antes de continuar o trabalho pela Colômbia, quando passei por Ipiales, que abriga o belíssimo Santuario de Las Lajas, e Cali, a capital mundial da salsa.

Depois, Villa de Leyva, aonde estou agora e de onde parto daqui a pouco rumo a Bogotá.

Fica faltando só Medellín para essa longa viagem virar história.

 

Última etapa

3 Aug

Bom, já que tive que vir pra Colômbia antes da hora, resolvi seguir viagem por aqui.

O roteiro inclui a costa caribenha, as cidades coloniais do interior, o triângulo cafeeiro e o sul do país, incluindo aí a capital da salsa, Cali (foi-se o tempo em que Cali era a capital de outras coisas…).

Além de Medellín e Bogotá, as principais cidades, aonde termino essa minha aventura.

 

mapa: Traveller's Point

 

Dia de Tom Hanks na fronteira

31 Jul

Mais uma história pra minha já longa lista de roubadas dessa viagem:

Eis que meus 90 dias de permissão para ficar na Venezuela se acabaram.

Eu ainda tinha que visitar alguns lugares ali, mas não tinha o que fazer a não ser sair do país e voltar, pegando um novo carimbo de entrada e estendendo, assim, minha permanência em território venezuelano.

Daí, resolvi “dar um pulinho ali” na Colômbia e voltar.

A viagem de Maracaibo até Paraguachón, na fronteira, foi, por si só, uma grande aventura.

Peguei um ônibus que levava sacoleiros com todo tipo de muamba (ou você acha que isso só acontece na fronteira do Brasil com o Paraguai?).

Durante mais de 3 horas viajei espremido entre um monte de caixas, entre computadores, video-games, caixas de cerveja (!), imensos pacotes de papel higiênico (!!) e até fraldas descartáveis (!!!!!!!!).

Se a música tava alta? Adivinha!?!

Chegando próximo à fronteira, o cobrador disse que precisava de dinheiro para dar ao policial para que ele não inspecionasse o ônibus, e fez uma “vaquinha” entre os passageiros.

Com o dinheiro recolhido, tudo aconteceu muito rápido. O ônibus parou, o policial se aproximou e recebeu um caloroso cumprimento do cobrador, que disfarçadamente trazia já o dinheiro na palma de sua mão e discretamente o passou ao policial, que o guardou em seu bolso após uma rápida conferida.

Rápida conferida no dinheiro, porque no ônibus ele nem entrou.

Pensei: tudo certo agora, cruzamos a fronteira e fim de papo.

Mas que nada. A fronteira estava a mais de 30km de distância, e nesse caminho passaríamos ainda por mais uns 15 pontos de controle e barreiras policiais.

Em todos eles repetia-se o mesmo ritual, a “vaquinha” e o cumprimento, com o valor da propina aumentando de acordo com a aproximação da fronteira.

Tudo na boa, sem negociações, sem receio de que o policial pudesse encrencar, sem nervosismo.

(o único nervoso ali era eu mesmo)

Tudo protocolado. Pilantragem institucionalizada. Todos participam, todos tiram a sua casquinha, todos são cúmplices.

Mas não era disso que eu queria falar.

A roubada do dia não tinha nem começado.

Saí da Venezuela, entrei na Colômbia, saí da Colômbia e entrei… numa fria.

Não me deixaram entrar na Venezuela de volta.

E não teve migué que funcionasse dessa vez. “No puedes entrar” e fim de papo. Só depois de três dias.

Bom, meus planos de viagem para os próximos dias – reservas de hotéis, passeios agendados, etc. – estavam arruinados.

Mas… paciência. Se a regra é essa, não tenho o mesmo o que fazer a não ser voltar pra Colômbia e esperar os três dias.

(sim, voltar pra Colômbia; nesse momento eu estava na fronteira, numa área pretensamente neutra entre os postos de imigração dos dois países)

Mas ao tentar entrar de novo na Colômbia, o problema: eu tinha um carimbo de entrada e um de saída do país, sem ter entrado e saído de outro país depois disso.

Resultado?

Não me deixaram entrar.

Eu precisava entrar e sair de outro país para poder entrar lá de novo.

Mas não me deixaram entrar na Venezuela!!!, argumentei.

Lo siento, disse o policial.

Voltei ao posto venezuelano e expliquei a situação ao guarda.

Lo siento, disse também.

Então quer dizer que, no final da história, todo mundo que não podia passar pela fronteira subornou os policias e passou, e o honesto aqui ia ter que dormir ao relento por três dias?

Foi o que eu pensei na hora.

 

Pra piorar a situação, meu chinelo, aquele que dizem que não solta as tiras, arrebentou.

Culpa do Murphy, né?, só pode…

O tênis tava difícil de tirar da mochila ali no meio da rua e eu saí andando descalço mesmo.

“Pelo menos isso vai render uma bela história depois”, pensei em seguida. Tava de bom humor.

Tava tão bem humorado e tão ferrado, sem ter o que fazer ou para quem apelar, que voltei ao posto de imigração colombiano e, após mais uma tentativa frustrada de convencer o policial a me dar um novo carimbo de entrada no país, coloquei minhas mochilas num canto, encostadas na parede, e deitei no chão, ali mesmo, como quem quer tirar um cochilo.

O que tinha a perder? Ia passar a noite ali ou do lado de fora de qualquer jeito.

Três noites, aliás.

Claro que armei a maior confusão. Chegou policial de tudo quanto é lado.

E que confusão!

No fim, chamaram um dos responsáveis pelo lugar, ele escutou a minha história e resolveu meu problema.

Sem propina.

 

Colômbia, aqui vamos nós!

 

Cês e Emes

28 Jul

Mais algumas curiosidades venezuelanas, só pra não ficar sem postar nada hoje:

Na sequência da minha viagem, passei por 10 lugares cujo nome começa com a letra C:

Ciudad Bolivar, Canaima, Ciudad Guyana, Caripe, Caracas, Colonia Tovar, Choroní, Chuau, Coro, e Chichiviriche.

Aí resolvi trocar de letra:

Maturín, Maracay, Morrocoy, Mérida e Maracaibo.

Daí resolvi trocar de país!

 

Os mil sabores de Mérida

25 Jul

O recorde mundial de sorveteria com maior variedade de sabores é de Mérida.

Os caras conseguiram inventar 864 tipos diferentes de sorvetes, muitos deles beeem esquisitos.

Claro que eles não servem todas as opções de uma vez. Você pode escolher entre cerca de 40 sabores, que eles vão sempre revezando.

Alguns que me chamaram a atenção foram os de arroz com frango, espaguete com queijo, batata, carne de soja, cenoura, atum, cebola e alho.

Você mata o almoço e a sobremesa numa casquinha só!!!

Algumas especialidades da cozinha venezuelana também estão representadas, como o pabellón criollo.

E, claro, não podiam faltar algumas excentricidades, como o de hierba buena (será que é da boa mesmo?) e o de viagra, o único sorvete que ajuda a esquentar as coisas…

 

A saga do pão de queijo

22 Jul

Não é nada difícil ser italiano e viajar pelo mundo. Pizzas e massas de todo tipo são figurinha fácil nos cardápios em qualquer país.

Complicado mesmo é ser mineiro e gostar (tanto) de pão de queijo.

Pelo Brasil afora ainda vai, mas e no exterior?

O tal do polvilho, doce ou azedo, não entra na lista de compras dos gringos. Nem sei se existe lá pelas bandas da Europa ou da América do Norte.

Aliás, nem sei como se diz polvilho em inglês. Alguém?

Mas ouvi dizer que em alguns lugares aqui pela América do Sul seria sim possível encontrar o quitute mineiro, ou pelo menos algo similar.

E eu fui à busca.

Eis que, logo no começo da minha viagem, no agora longínquo Paraguai, encontrei a minha primeira amostra, chamada ali de Chipá.

Até meio parecido, mas estranho.

Subindo um pouco mais, encontrei outra versão, o Cuñape, na região leste da Bolívia, ali pelas bandas de Santa Cruz de la Sierra e Cochabamba. Também parecido e até mais gostoso que o primo paraguaio, mas ainda diferente.

Meses depois, já tinha até esquecido do assunto quando, passando por uma padaria venezuelana, em Mérida, vi aquele bolinho branco com um nome mais do que esquisito – Almojabana – e decidi experimentar.

E não é que esse era bem parecido mesmo com o autêntico pão de queijo mineiro?

Bom, não é nem de longe tão bom quanto o da Tia Elza, mas deu pra matar um pouco a saudade.

Fui procurar saber e me disseram que se trata, na verdade, de uma iguaria da culinária colombiana, trazida a Mérida pela proximidade com o país vizinho.

E eu ainda tenho a Colômbia inteira pela frente para conhecer!

Êba!🙂

 

Uma surpresa atrás da outra

19 Jul

Uma cidade de 10 mil habitantes incrustada em uma região montanhosa não muito longe da costa, colonizada por alemães, aonde todas as construções têm o mesmo estilo das casas da região da Floresta Negra, no sudoeste da Alemanha.

Todas mesmo. É lei. Telhados triangulares, vermelhos ou verdes, vigas de madeira, tudo isso é item obrigatório.

O que não é obrigatório são os restaurantes com variedades de salsichas e chucrute no cardápio, e as garçonetes vestindo roupas típicas.

Nem as plantações de morangos, os suspiros e biscoitos artesanais, a Oktoberfest, o festival de música clássica, o povo branco, loiro e de olhos azulados e as placas e nomes em alemão.

Sem esquecer do clima frio, em contraste com as temperaturas escaldantes do restante do país, especialmente da região litorânea, a poucos quilômetros dali.

Esta é Colonia Tovar, a apenas 2h de Caracas.

 

 

(por acaso eu já disse que é uma cidade de 10 mil habitantes inteira em estilo alemão, em plena Venezuela?)

 

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